Dia Internacional da Mulher: educação transforma vidas e impulsiona trajetórias

08/03/2026 Geral
Casos de Solumar (esq.) e Serrati (dir.) são iguais aos de muitas mulheres no Brasil
Divulgação/UNIASSELVI

Ensino superior amplia oportunidades, rompe ciclos de desigualdade e fortalece a autonomia feminina em diferentes fases da vida

Para milhões de mulheres brasileiras, o acesso à educação representa muito mais do que um diploma. É a chance de interromper ciclos de desigualdade, reconstruir trajetórias, ampliar oportunidades e conquistar autonomia. No Dia Internacional da Mulher, alunas da UNIASSELVI contam como o Ensino Superior pode ser um ponto de virada para quem transforma desafios cotidianos em caminhos de crescimento, superação e novas possibilidades.

Da construção civil à sala de aula

A trajetória de Solumar Fernandes da Silva é marcada por trabalho pesado, maternidade e persistência. Antes de ingressar no ensino superior, ela atuava na construção civil como servente de pedreiro, uma área que aprendeu a admirar ainda na infância. “Quando surgiu a oportunidade de trabalhar em uma obra na minha cidade, eu não pensei duas vezes. Saí do trabalho em uma padaria e fui para a obra. Era uma área que eu gostava e que aprendi a amar com o meu pai”, afirma.

A perda do pai foi um divisor de águas. “O sonho do meu pai era que eu estudasse e fizesse um curso. Então, mesmo trabalhando, eu falei: vou estudar”, relata ela, que se matriculou no curso de Técnico em Segurança do Trabalho, no polo da UNIASSELVI em Ponte Nova, Minas Gerais.

Porém, não foi simples conciliar o trabalho braçal, a maternidade e os estudos. A segunda gravidez exigiu que ela deixasse o trabalho na construção civil e trouxe momentos de dúvida. “Em alguns momentos, passou pela minha cabeça desistir, mas eu pensava que me formar seria realizar o sonho do meu pai”.

A virada veio quando Solumar viu uma vaga de emprego no próprio polo da UNIASSELVI onde ela estudava. “Era uma vaga no setor comercial. Mandei o currículo, mas não sabia nem fazer uma planilha. Fui atrás de aprender, porque precisava saber para passar pelas entrevistas. Conversei com a diretora do colégio onde eu estudei, que me ensinou a montar uma planilha do zero. Quando recebi a resposta positiva, dei pulos de alegria! Pensei: não foi em vão investir na minha graduação, não foi em vão o meu estudo”.

Segundo ela, o dia a dia no polo fez com que ela se interessasse em trabalhar construindo futuros dentro da sala de aula. “Quando peguei meu diploma, pensei no meu pai. Para mim, foi um orgulho, um dever cumprido. Mas não parei mais: fui dar aula no curso em que me formei e adorei! Então, fiz também as graduações em História, em Geografia e em Pedagogia, e já tenho três pós-graduações em diferentes áreas. Pude levar meu conhecimento e minha história de vida para dentro da sala de aula e mostrar que o conhecimento vale a pena. É um esforço que, lá na frente, vai trazer muita diferença na sua vida”.

Hoje, Solumar continua trabalhando no polo da UNIASSELVI em Ponte Nova, além de dar aulas na rede pública de Minas Gerais. Ela destaca o impacto direto da educação na vida dela, do marido e dos três filhos. “Teve época em que não tinha dinheiro para comprar pão porque precisava pagar a mensalidade. Mas hoje, meu filho me diz que entende por que eu investia no estudo. Temos uma vida mais confortável, com casa, carro, moto. Por isso, um conselho que eu deixo para todas as mulheres é que a rotina pode ser cansativa, ainda mais para quem tem filho, tem casa, tem marido. É muito estressante isso tudo, mas lá na frente você vê a recompensa. O conhecimento é a única coisa que ninguém tira de você”.

Educação para recomeçar a vida

Moradora da cidade de Ananindeua, no Pará, Serrati Pastana representa outra realidade vivida por muitas mulheres brasileiras: a interrupção da carreira para assumir o cuidado integral de um familiar. Após ficar desempregada, ela precisou deixar a graduação em Nutrição para se dedicar exclusivamente aos cuidados da mãe, diagnosticada com Alzheimer.

“Durante mais de dez anos, vivi uma rotina de abdicação, deixando em segundo plano os meus próprios sonhos profissionais. Nesse período, eu pensava muito no que seria de mim, qual seria meu futuro, porque o tempo estava passando e eu não tinha um emprego. Chorava bastante, ficava deprimida”, lembra ela.

Após a perda da mãe, em 2024, Serrati encontrou na educação a possibilidade de recomeçar a própria vida, aos 58 anos. “Soube que poderia concluir o curso de Nutrição na modalidade EAD. O polo da UNIASSELVI é próximo da minha casa e me deu todo o suporte que eu precisava. Com o apoio da minha família, consegui retomar os estudos”.

Ela se formou e atua como nutricionista. Também concluiu uma pós-graduação, está cursando uma nova especialização e já planeja ingressar no Mestrado. “Minha história simboliza a força feminina, a resiliência diante das perdas e a coragem de reconstruir a própria vida, inspirando outras mulheres a acreditarem que seus sonhos continuam possíveis, em qualquer fase da vida. Tudo isso reforça que, a educação é uma ferramenta poderosa de transformação social e que nunca é tarde para recomeçar”.


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